quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Frans Krajcberg e sua relação com a cidade de Curitiba


Curitiba tem relações orgânicas e importantes com a Polônia. É cidade irmã de Cracóvia. É considerada a segunda cidade no mundo, depois de Chicago, com o maior número de descendentes de poloneses fora da Polônia. E possui o único Museu sobre o holocausto no Brasil.

Posso citar também outros destaques que reforçam a estreita relação da cidade de Curitiba com a Polônia, são artistas, inventores, lideranças políticas, líderes religiosos e culturais e pesquisadores que se dedicaram a fundar escolas e empresas na cidade e pelo Paraná.

Mas há também um episódio que me deixa perplexa quando olho para a história de minha cidade natal com o artista plástico polonês, naturalizado brasileiro, Frans Krajcberg. 

Me recordo da ocasião na qual o artista foi homenageado pela cidade de Curitiba, em 2003, com o Espaço Cultural Frans Krajcberg, localizado no Jardim Botânico. O espaço abrigou por alguns anos, uma exposição de 110 esculturas, doadas pelo artista para a cidade, e caberia à cidade a manutenção das obras.

Alguns anos depois, o artista detectou que as obras não estavam recebendo a conservação adequada, realizou contatos e diversas tentativas de diálogo junto a Prefeitura de Curitiba para que a questão fosse resolvida, mas sem sucesso neste pleito, retirou as obras do Jardim Botânico. O Espaço Cultural Frans Krajcberg foi fechado em 2010 e atualmente encontra-se sem uso e em condições precárias.

Krajcberg chegou ao Brasil em 1948, depois de ter perdido sua família, que foi morta pelos nazistas. Foi importante ativista ambiental e desenvolvia esculturas a partir de troncos e raízes de árvores em áreas devastadas pelo fogo e nesta forma de expressão encontrou um meio de denunciar a devastação de florestas brasileiras. Faleceu no último dia 15 de novembro, no Rio de Janeiro aos 96 anos.

É, portanto, lamentável o que ocorreu com Frans Krajcberg e a cidade de Curitiba, que não se mostrou capaz de manter o compromisso firmado com o artista, com o espaço cultural e com as obras, patrimônio mundial.


Krajcberg  nos deixa seu legado e inúmeras reflexões acerca da responsabilidade que cada um de nós tem para propormos pequenas ações que ajudarão na preservação dos recursos naturais do planeta. E porque não, pensarmos pequenas ações para valorizarmos e cuidarmos também do patrimônio artístico e cultural?! 

A incapacidade de valorizar e entender o valor do investimento no patrimônio artístico e cultural pode ter sido uma das causas desse impasse. Enfim, não se sabe muito bem o que ocorreu nos bastidores de todo esse triste episódio, que não pode ser esquecido.



Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo/Arquivo
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/curitiba/morre-frans-krajcberg-o-artista-que-brigou-com-o-descaso-da-prefeitura-de-curitiba-1zuux3ov5alf853iajy8t6tjj

Schirlei Mari Freder, Administradora, fundadora e Diretora Executiva da Creare Consultoria, Gestão e Treinamentos onde desenvolve projetos para micro e pequenas empresas, organizações do setor público e organizações do terceiro setor. Docente, conteudista, avaliadora de projetos e de empresas. Pesquisadora na área de Políticas Públicas, Nova Economia, Gestão e Empreendedorismo.

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